22.8.11

G-15: o norte para a cooperação sul-sul.

Nos anos de 2009/2010 a grande mídia questionou o fato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva receber em solo brasileiro o chefe de governo Iraniano Mahmoud Ahmadinejad. De pressões internas como a manifestação da comunidade judaica até a declaração da secretária de estado norte-americana Hilary Clinton que via com preocupação a visita do líder Iraniano ao Brasil. Uníssono, o coro questionava o fato de uma democracia consolidada como o Brasil, poderia está recebendo o representante de um regime opressor e manifestadamente violador dos direitos humanos.
Os não alinhados surge no auge da guerra da fria em oposição ao eixo de poder leste-oeste, optando os membros por não se atrelar de forma irreversível as nações polarizadoras (EEUU e URSS).
Entretanto é necessário analisar os últimos anos da guerra da fria e chegar até a IX cúpula dos não-alinhados ocorrida em 1989 em Belgrado, então Iugoslávia. Embora contando atualmente com 18 países e mantendo o nome ligado aos 15 primeiros signatários, o grupo apresenta países com lideranças regionais de importância estratégica.
Ao analisarmos a relação comercial do Brasil com o Irã nos anos do governo Lula da Silva teremos uma idéia da corrida nas exportações brasileiras para aquele país. Considerando que a exportações brasileiras para o oriente médio pouco ultrapassava a 2,3 bilhões de dólares, sendo o Irã o terceiro país da região que mais exportava produtos brasileiros, com aproximadamente 21% das exportações perdendo para Emirados Árabes e Arábia Saudita, primeiro e segundo respectivamente. Passados cinco anos, ou seja, a tabela de 2007 das exportações brasileiras para o oriente médio teria o seguinte desenho: A relação das exportações brasileira para a região chegara ao nível de 6,4 bilhões de dólares e a parceria com Irã alcançara a primeira colocação com um pouco mais de 28% dos valores das exportações para o oriente médio. Ou seja, a relação com o Irá chegou à sétima parte do comércio com a Argentina, nosso segundo terceiro maior parceiro comercial atrás da China e dos EEUU, e, de longe, nosso maior parceiro regional ou o dobro de nossas exportações ao Uruguai importante parceiro comercial brasileiro no mesmo período.
Observando a relação bilateral com Cingapura o movimento não é diferente, numa corrente de comércio de quase dois bilhões de dólares, o Brasil tem saldo positivo na ordem de dois terços. Entretanto devemos observar que o comércio com este país era incipiente. Deve-se ainda observar que nos anos de 2006/2008 o número do comércio bilateral chegou ao patamar de quase quatro bilhões recuando para os números de 2009.
Com o Egito novamente observa a mesma equação, no ano de 2003 tínhamos uma corrente próxima ao meio milhão de dólares. Os números de 2009 nos levam para uma corrente de comércio na ordem de 1,5 Bilhões de dólares com saldo, positivo brasileiro na ordem de 15 partes de exportação brasileira para uma parte de importação brasileira.
Os números quando se trata da Indonésia segue a ordem anterior, em 2003, a balança comercial trabalhava com uma corrente de quinhentos milhões de dólares, e, para números de 2009 observamos a prática de comércio na ordem de dois bilhões de dólares, merecendo atenção ao fato de nosso saldo oscilar entre positivo e negativa em pequena variação.
A equação de vascularização das relações internacionais nos últimos anos, considerando o marco 2003 se aplica de forma impressionante com o México, que historicamente desde 1810 mantemos relações com este país. Em 2003 estabelecíamos um balança favorável com corrente de comércio na ordem de 3,2 bilhões de dólares, elevando a mais de 6,0 bilhões em 2007 e 7,0 bilhões em 2008, entretanto com o efeito da crise construímos números em 2009 na ordem de 5,4 bilhões de dólares.
Com a apresentação destes números nos mostra que Irã e os demais líderes regionais não–alinhados fazem parte do portfólio do Itamaraty para estreitar relações e estabelecer metas comerciais positivas, vascularizando o comércio e diminuindo as dependência de agendas seculares com os EEUU e Europa.
Neste mesmo período o EEUU deixa de ser nosso maior parceiro comercial para ceder espaço aos chineses. Em se tratando de China saímos em 2003 de uma corrente de comércio na ordem de seis bilhões de dólares para 36 bilhões de dólares, registrando que mantivemos nestes últimos seis anos saldo positivo. Merece atenção ainda o fato do comércio entre estes dois países ainda se consolidar depois da assinatura do Plano de Ação Conjunta Brasil-China, quando da vinda de Hu Jintao para a II Cúpula do BRIC em Brasília.
Desta forma demonstramos que o comércio com o G-15 pode consolidar a política sul-sul do Brasil com base no conceito de multilateralismo de reciprocidade estabelecendo relações que visam o aumento de nossa capacidade de comercializar, bem como a possibilidade construção um ambiente ao sul onde as relações e comercio estabelecem regras de relação mais recíproca e menos protecionistas e desiguais do que às estabelecidas com o norte.
Por óbvio, a relação com Irã se ampara nesta lógica da relação sul-sul e na construção de metas relações bilaterais com os líderes regionais que se comportam no novo plano de forma não-alinhada, seja pela manutenção da posição da guerra fria, ou mesmo por esta posição ter construído ao longo dos anos uma lacuna entre os países, lógico sem esquecer o fator religião, mas por dever de ofício merece o destaque de que não esquecer o fator religião não significa o mesmo que considerá-lo apenas.

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